Copa do Mundo 2026: por que a Propriedade Intelectual sustenta uma indústria bilionária
- Equipe Pierozan Advogados

- há 2 dias
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Quando se fala em Copa do Mundo, é comum que a atenção esteja voltada aos jogos, aos atletas e à disputa dentro de campo. No entanto, existe um elemento jurídico que sustenta toda a estrutura econômica do maior evento esportivo do planeta: a Propriedade Intelectual.

Foi justamente essa perspectiva que levou o advogado e sócio-fundador do Pierozan Advogados, Felipe Pierozan, especialista em Propriedade Intelectual, a comentar o tema em entrevista à coluna Começo de Conversa, do Jornal do Comércio.
Mais do que um torneio esportivo, a Copa representa um ecossistema de ativos intangíveis cuidadosamente protegidos. Marcas, direitos de transmissão, licenciamentos, direitos de imagem e contratos de patrocínio formam a base jurídica que permite a exploração econômica do evento em escala global.
Os números demonstram a dimensão desse mercado. Para o ciclo comercial da Copa do Mundo FIFA 2026, a entidade projeta receitas de aproximadamente US$13 bilhões, um crescimento de cerca de 72% em relação ao ciclo anterior.
Grande parte desse resultado decorre da exploração estratégica de ativos de Propriedade Intelectual. Os direitos de transmissão devem representar cerca de US$4,3 bilhões, impulsionados especialmente pela valorização do mercado norte-americano. Já os patrocínios devem alcançar aproximadamente US$3,1 bilhões, com todos os espaços comerciais já comercializados, enquanto hospitalidade e venda de ingressos devem gerar cerca de US$2 bilhões, refletindo o aumento da dimensão do torneio.
Outro dado chama atenção: mesmo em 2024, ano sem Copa do Mundo, a FIFA arrecadou aproximadamente US$88 milhões apenas com royalties e licenciamento de marcas, superando em cerca de 43,8% a previsão orçamentária. Isso demonstra que o valor da Propriedade Intelectual não depende exclusivamente da realização do evento, mas da capacidade de administrar e explorar juridicamente ativos intangíveis ao longo de todo o ciclo comercial.
Os reflexos desse sistema também podem ser observados em grandes operações de mercado.
A Panini, licenciada oficial dos álbuns de figurinhas da Copa há mais de seis décadas, projeta receita próxima de US$1,25 bilhão com a edição de 2026 — mais que o dobro do resultado obtido na Copa do Catar.
Outro exemplo é a EA Sports, que, após o encerramento da parceria com a FIFA, perdeu o direito de utilizar oficialmente o nome, os símbolos e demais elementos protegidos da competição. Como consequência, precisou desenvolver uma versão alternativa do torneio em seu jogo, sem utilizar os ativos oficiais, enquanto novos contratos de licenciamento passaram a ser firmados com outras empresas.
Esses exemplos demonstram que a Propriedade Intelectual vai muito além da proteção jurídica de marcas ou invenções. Ela constitui um instrumento capaz de gerar valor econômico, fomentar investimentos, estruturar modelos de negócio e assegurar segurança jurídica para titulares, patrocinadores e parceiros comerciais. Como destacou Felipe Pierozan em sua entrevista ao Jornal do Comércio:
"toda essa cadeia econômica repousa sobre um único alicerce: a proteção da Propriedade Intelectual. Sem a exclusividade jurídica de marcas, slogans e direitos de transmissão, esse modelo colapsa."
A Copa do Mundo talvez seja um dos exemplos mais emblemáticos de como ativos intangíveis podem movimentar bilhões de dólares quando protegidos por um sistema jurídico sólido. Mais do que uma competição esportiva, ela evidencia que inovação, negócios e desenvolvimento econômico caminham lado a lado com a Propriedade Intelectual.



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